O que é a NFCom?
A NFCom já é realidade para provedores de internet
Quem precisa emitir a NFCom?
Datas importantes e cronograma de implantação
- Implementação escalonada (2023–2024) – A NFCom começou a ser testada em alguns estados ainda em 2023. Durante 2024, mais estados aderiram de forma voluntária.
- Abril de 2025 – Alguns estados anunciaram e implementaram que a nova nota substituiria os antigos modelos 21 e 22 a partir de abril de 2025. O portal da Invent Software, por exemplo, lembra que a extinção dos modelos 21 e 22 – usados anteriomente para faturar serviços de comunicação – se deu pelo novo modelo 62 (NFCom).
- 1º de novembro de 2025 – Esta data limite virou o mantra do mercado. A partir do dia 1º de novembro, a emissão da NFCom se tornou obrigatória para todos os contribuintes do ICMS que prestam serviços de comunicação. A Convergência Digital ressalta que, após sucessivos adiamentos, não há mais tempo a perder para as adequações necessárias. Provedores que não se adaptaram correram o risco de não conseguir faturar seus serviços, além de sofrer autuações e multas.
- Prorrogação limitada – Admite-se a extensão do prazo até 1º de agosto de 2026, em caráter excepcional para empresas que, sob regime especial, tenham emitido no mínimo 60% em NFCom até novembro de 2025.
Por que a NFCom é importante para provedores de internet?
- Padronização e transparência. A NFCom padroniza informações sobre o que é fornecido e torna evidentes práticas das empresas. Segundo o artigo da Convergência Digital, ela ajudará a identificar grupos que se valem de vários CNPJs para entrar no regime do Simples Nacional e reduzir a carga tributária de forma artificial. A nota também padroniza dados sobre SVAs, o que impedirá a atribuição artificial de receitas de SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) a serviços de valor adicionado.
- Imediata disponibilização das notas. Uma vez emitida, a NFCom fica imediatamente disponível para consulta pela Secretaria da Fazenda e também pelo consumidor. Não haverá mais envio mensal acumulado. Isso facilita o controle do cliente e do Fisco, mas aumenta a exposição: inconsistências podem gerar autuações mais rápidas.
- Integração com a Receita Estadual. O layout XML da NFCom segue padrão nacional definido pelo Ajuste SINIEF 07/22. A nota deve ser assinada digitalmente com certificado e transmitida em tempo real à SEFAZ. Essa integração garante autenticidade e permite o monitoramento on‑line, eliminando espaço para fraudes.
- Segurança jurídica para provedores. Ao adotar o novo modelo, os provedores reforçam a conformidade contábil e fiscal. Luiz Henrique Barbosa, presidente da Telcomp, afirmou no Cleartech Summit que a NFCom contribui para a agenda de profissionalização do setor, exigindo melhores práticas contábeis e gestão interna de dados. Empresas que vivem adiando mudanças estruturais, como a adaptação para a NFCom, podem ter problemas, mas aquelas que se antecipam colhem benefícios.
Benefícios da NFCom para a gestão dos provedores
- Maior confiabilidade e controle – A centralização de dados fiscais em ambiente digital reduz erros e retrabalho. A MK Solutions destaca que a emissão eletrônica integrada garante registros sem falhas, diminuindo riscos de multas e aumentando a segurança financeira.
- Simplificação das obrigações contábeis – Antes da NFCom, provedores gastavam horas preenchendo relatórios manuais e corrigindo inconsistências. Agora, os dados são sincronizados automaticamente, o que significa menos burocracia e mais tempo para atender clientes.
- Inovação tecnológica e imagem corporativa – A adoção da NFCom demonstra ao mercado que o provedor está alinhado com tecnologia e compliance. Isso é um diferencial competitivo em um setor cada vez mais exigente.
- Gestão digital dos documentos – O ciclo fiscal do provedor passa a ficar disponível on‑line, com consultas rápidas, armazenamento seguro e backups automáticos. Adeus pilhas de papel!
- Sustentabilidade – A redução no consumo de papel contribui para práticas mais ecológicas e aproxima o provedor das tendências ESG.
- Agilidade nos processos – A padronização acelera rotinas fiscais, liberando equipes para tarefas estratégicas.
Sua operação está preparada para a NFCom e a nova realidade tributária?
Fiscalização de FUST e FUNTTEL
Além de beneficiar as empresas, a NFCom trouxe ferramentas de fiscalização para o governo. Em entrevista ao Cleartech Summit, Enílsio Pereira Filho, coordenador de fiscalização tributária da Anatel, disse que a padronização da NFCom facilita a fiscalização do recolhimento das contribuições ao Fust e ao Funttel.
Embora a Anatel não seja responsável pela cobrança de tributos, a uniformização dos dados permite identificar inconsistências e apoiar ações de fiscalização. Ele ressaltou que, sem um convênio específico, a Anatel não terá acesso automático aos dados do Fisco, mas as informações padronizadas ajudarão a agência na fiscalização.
Esse ponto é crucial para provedores de internet: enquanto o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) e o Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) incidem sobre a receita líquida dos serviços, a dificuldade em separar telecomunicações de serviços de valor adicionado gerava discussões com a Anatel.
Desafios e cuidados na transição para a NFCom
Se o novo modelo promete benefícios, por que existe tanta preocupação? A resposta está nos desafios internos.
O Cleartech Summit revelou que muitas empresas deixam a adaptação para a última hora. Araceli Sena, especialista em transformação digital da Cleartech, aconselha empresas que ainda estão iniciando os preparativos a criar imediatamente um comitê interno com responsáveis por faturamento, contabilidade e fiscal para tratar das medidas necessárias.
1. Revisão de sistemas e cadastros
- Atualize o ERP ou software de notas – É indispensável garantir que o sistema de gestão (ERP) ou solução de emissão de notas esteja adaptado ao modelo NFCom. A MK Solutions recomenda que os provedores tenham certificado digital (e‑CNPJ), credenciamento na SEFAZ e conexão via webservice.
- Revise cadastros e nomenclaturas – Toda a base de serviços, produtos, pacotes e impostos precisa ser revisada. A Convergência Digital observa que provedores deverão inserir nas ferramentas todos os serviços e produtos que constam em seus pacotes, inclusive impostos e alíquotas. É comum que provedores vendam combos de internet, telefonia e serviços de valor adicionado; cada item deve ser corretamente classificado.
- Integre dados com CRM e sistemas de billing – Especialistas do setor destacam que sistemas internos como cadastro de clientes, CRM e faturamento precisam ser adequados à NFCom. Uma boa prática é centralizar as informações de clientes, planos e cobranças em uma base única, garantindo consistência e evitando divergências.
2. Treinamento de equipes e mudança cultural
Mostre como a NFCom reduz retrabalho, melhora a transparência e traz confiabilidade. E aproveite para incentivar um espírito de equipe: crie um “dia da NFCom”, com um café da manhã, em que cada setor apresente suas ações de preparação.
3. Atenção aos SVAs e separação da receita
Portanto, converse com seu contador e garanta que os pacotes sejam descritos de forma correta, separando claramente os tributos estaduais (ICMS), federais (PIS, Cofins) e municipais (ISS, quando aplicável). A transparência é o melhor remédio e, convenhamos, ninguém quer dar uma de malandro e acabar sendo o “vilão” do Fisco.
Transforme SVAs em vantagem competitiva e eficiência tributária
4. Adequação à reforma tributária
Vantagens estratégicas e oportunidades da NFCom
Mudanças regulatórias podem parecer um fardo, mas a NFCom também oferece oportunidades estratégicas para provedores que desejam crescer de forma sustentável. Veja algumas:
1. Profissionalização do setor e atração de investimentos
A associação Telcomp tem destacado que a NFCom impulsiona a profissionalização das empresas de telecom. O presidente executivo da entidade, Luiz Henrique Barbosa, afirma que a NFCom exige atenção às boas práticas contábeis, à gestão de dados e ao foco no cliente.
2. Melhoria de processos internos e eficiência
3. Diferenciação no mercado e reputação
Na guerra dos ISPs, reputação importa. Empresas que adotam a NFCom cedo demonstram compromisso com a legislação e com a qualidade do serviço. Isso pode ser explorado em campanhas de marketing: “Seu provedor já está pronto para a NFCom!”
4. Integração com plataformas de gestão e IA
Perguntas frequentes sobre a NFCom
Não. A NFCom substitui apenas as notas fiscais de serviços de comunicação (modelos 21 e 22). A NFe (Nota Fiscal Eletrônica) continua sendo usada para a maioria dos produtos e serviços gerais.
A NFCom foi criada por meio do Ajuste SINIEF 07/22 e é gerenciada pelas Secretarias de Estado da Fazenda. A Anatel participa como órgão regulador, mas não é responsável pela emissão nem pela cobrança de tributos.
A implementação é escalonada. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina já aderiram. Consulte o site da sua SEFAZ para verificar o cronograma específico.
Sim. É necessário um certificado digital (e‑CNPJ) válido, credenciamento na SEFAZ e um sistema de emissão que atenda ao novo layout.
5. O que é DANFE Com?
Após a emissão da NFCom, é gerado o Documento Auxiliar da Nota Fiscal de Comunicação (DANFECom), um documento simplificado para apresentação visual da operação. Embora o DANFECom não substitua o XML, ele facilita a conferência por parte do cliente ou do prestador.